Por Monica Hamada, SABJA
Valorizar a vida
Setembro é um mês em que falamos sobre a prevenção do suicídio e a valorização da vida. Primeiramente, precisamos aprender a identificar o sofrimento que muitas pessoas carregam em silêncio.
As pessoas que estão emocionalmente no limite nem sempre conseguem dizer claramente: “Eu preciso de ajuda.” O pedido pode aparecer dessa forma: “Estou cansado de tudo”, “Não aguento mais”, “Queria desaparecer por um tempo, sumir ou não acordar mais” ou “Não vejo mais sentido nas coisas.”
Muitas vezes, não existem palavras, mas sim dor e vazio. As pessoas começam a se distanciar, perdem o interesse e o prazer nas tarefas que faziam antes, apresentam mudanças no sono, no apetite e no comportamento, levando consigo um sofrimento profundo.
Precisamos entender que nem todo sofrimento é visível. Algumas pessoas não demonstram o que realmente estão sentindo por medo de julgamento. A distância da família, a barreira do idioma, as dificuldades financeiras, a adaptação cultural, as longas jornadas de trabalho e a sensação de não pertencimento também podem aumentar a solidão emocional.
Existe uma diferença entre estar sozinho e sentir-se sozinho.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o comportamento suicida não costuma ser explicado por uma única causa. Aspectos psicológicos, sociais, familiares, econômicos, culturais e ambientais podem estar envolvidos.
Como perceber que alguém pode precisar de ajuda?
Observe mudanças no comportamento e na maneira como a pessoa se comunica. Mudanças intensas de humor, afastamento de familiares e amigos, isolamento, desesperança, sensação de ser um peso para os outros, falas sobre não ter motivos para viver, despedidas incomuns ou comentários relacionados à própria morte são sinais que merecem atenção.
Quando alguém demonstra desesperança ou diz que não consegue mais suportar determinada situação, não devemos comparar problemas ou responder: “Você precisa ser forte”, “Tem gente passando por coisas piores” ou “Isso vai passar”.
Antes de tentar ajudar, precisamos aprender a escutar sem julgamentos. Perguntas como “Quer conversar?” ou “Como posso estar com você neste momento?” podem ajudar a pessoa a se sentir compreendida.
Acolher alguém não significa ter todas as respostas. Significa não deixar aquela pessoa enfrentar tudo sozinha e ajudá-la a encontrar um apoio adequado.
Reconhecer o sofrimento, escutar sem julgamento e ajudar alguém a encontrar apoio também são formas de valorizar a vida.











