Artigo exclusivo de Erika Tamura.
Desde 2021, temos em nossa grade de atuação um curso de japonês on-line, específico para o teste JLPT. Iniciamos de forma pequena e humilde, com apenas três turmas: N1, N2 e N3. No entanto, devido à baixa procura, abrimos posteriormente as turmas de N4 e N5.
A partir daí, a procura aumentou e permanece grande até hoje. Porém, do meu ponto de vista, o número de alunos ainda é baixo.
Um dos motivos é que, durante o processo de inscrição, é necessária a realização de um teste de nivelamento, para sabermos em qual nível o aluno está realmente apto a estudar. Com isso, tivemos uma surpresa: a maioria dos inscritos não conseguiu atingir a pontuação necessária para frequentar a turma de N5.
Para estudar no nível N5, é necessário ter conhecimento de hiragana e katakana e conseguir compreendê-los adequadamente, para que as aulas sejam eficazes.
Passamos a enxergar esse problema relacionado ao ensino do idioma japonês como um desafio ainda maior, tanto para nós, da NPO, quanto para os professores e, principalmente, para os alunos.
Por isso, decidimos abrir um curso de japonês on-line para iniciantes, em nível básico. No entanto, apenas cinco alunos compareceram.
Quando decidimos oferecer um curso de japonês para alunos de escolas brasileiras, o desafio foi ainda maior: nenhum aluno compareceu. Também solicitei o apoio das escolas brasileiras, mas uma das diretoras tratou o curso da SABJA com desdém.
Tudo isso aconteceu ao longo desses quatro anos. No ano passado, porém, iniciou-se um debate político sobre a possibilidade de atrelar a renovação do visto dos estrangeiros residentes no Japão ao conhecimento do idioma japonês.
Esse debate foi suficiente para aumentar a procura pelo curso de japonês.
No dia 6 de junho, iniciamos o curso on-line específico para o JLPT. Tivemos 208 inscritos, mas apenas 70 alunos estavam aptos a prosseguir no curso.
O que isso demonstra?
Quais desafios ainda precisamos enfrentar?
Gostaria de chamar a atenção da opinião pública e das esferas governamental e institucional para essa questão, pois ela tem gerado debates acalorados, mas poucas soluções concretas.
Acredito que ainda temos um longo caminho a percorrer. No entanto, os nossos 70 alunos, que estão empenhados em adquirir conhecimento, já estão à frente de muitos outros.
Nada do que escrevi deve ser entendido como uma crítica. Meu objetivo é apenas enaltecer aqueles que estão lutando e se dedicando à busca pelo aprendizado.
Parabéns aos nossos alunos!