Japonês Maneiro por Professor Caruso
Comendo partículas
Na língua japonesa, quando dizemos a palavra partícula, estamos nos referindo às palavras wo, wa, ni, de etc. Elas aparecem logo nos primeiros dias de aula e são extremamente importantes para definir de quem estamos falando, para quem algo será dado, quem chamou quem, para onde etc. Porém, de fato, há ocasiões em que podemos omitir essas partículas das frases que utilizamos no dia a dia.
Aí você irá se perguntar: então por que elas existem?! Bom, como foi dito anteriormente, elas existem para definir o sujeito da frase, o objeto da frase ou o que exatamente foi dado para quem. Em uma frase, por exemplo: o chefe me chamou, em japonês, joushi wa watashi wo yonda, é fácil definir quem chamou quem, justamente pela partícula! Na frase em questão, a partícula wa indica quem chamou, o chefe, e a partícula wo indica quem ele chamou, no caso, eu.
Aliás, eu me lembro do meu choque quando ouvi a combinação watashi wo pela primeira vez em japonês! Isso porque eu estava acostumado a ouvir tanto watashi wa que, quando ouvi watashi wo, achei que estava ouvindo errado. Foi quando me dei conta da importância da partícula em japonês. Quando digo watashi wa, watashi wo ou watashi ni, tudo muda de sentido!
Mas, voltando ao assunto, por que podemos apagar algumas partículas quando falamos no dia a dia? A resposta é simples: se repararmos bem, iremos notar que as partículas que podem ser apagadas são aquelas que podem ser facilmente subentendidas, ou seja, mesmo omitidas das frases, é possível saber qual partícula seria usada naquele determinado caso. Vejamos alguns exemplos!
Se eu digo, por exemplo, eu vou na loja de conveniência, o correto seria dizer watashi wa konbini ni iku. Para começo de conversa, é comum omitirmos a parte do watashi wa quando sou eu mesmo que estou falando. Logo, podemos dizer: konbini ni iku. Mas é ainda mais comum, quando falamos rápido, omitirmos também a partícula e dizermos: konbini iku. Até mesmo para perguntar, você pode dizer konbini iku? (vamos na loja de conveniência?). Nesse caso, mesmo retirando a partícula ni, não há nenhuma obstrução na comunicação, ou seja, a mensagem é passada de forma clara!
Mas iremos perceber que nem sempre a partícula pode ser omitida, principalmente quando ela realmente define o sujeito, o objeto direto ou o objeto indireto na frase. Por exemplo, tomodachi eiga iku. Nesse caso, é difícil omitir a partícula, justamente por haver múltiplas opções para completar a frase. Eu posso dizer tomodachi ga, ou seja, o meu amigo é que vai ao cinema, assim como também posso dizer tomodachi to, ou seja, eu vou com o meu amigo ao cinema.
Por fim, é importante destacar que essa omissão da partícula, principalmente na linguagem oral, é algo que só pode ocorrer em contextos informais. É desnecessário dizer que, em contextos formais, como entrevistas de emprego, reuniões de trabalho ou conversas com superiores, é aconselhável que esse tipo de coisa não aconteça. Fica a dica!










