Texto exclusivo do Professor Angelo Ishi para a edição 646 da Revista Alternativa.
Quatro anos atrás, falei sobre a eleição presidencial na coluna “O voto que nos divide” (ed. 549). Escrevi assim: “Votar no Japão, exercer o direito/dever do voto, mesmo estando longe do Brasil, é sempre um momento único, uma mescla de sentimentos: emoção com reflexão, diversão com apreensão, preguiça de enfrentar filas com a sensação do dever cumprido, orgulho misturado com uma pitada de inevitável descrença…”
Em outubro, ao repetir o ritual em uma eleição que, mais uma vez, dividiu o eleitorado, pude experimentar novamente as mesmas sensações. E confirmei que, sim, é muito bom poder votar, mesmo que seja só para presidente.
Em Tóquio, onde fica a minha seção eleitoral, o que mudou em relação a quatro anos atrás foi o local da votação. E para melhor. Acho que o Consulado acertou na escolha do local, e a equipe de voluntários, comandada pelo embaixador André Chermont de Lima, estava atendendo os eleitores com boa logística e uma hospitalidade que nos fazia sentir “em casa”.
Já em eleições anteriores, chamava a atenção a presença de jovens nascidos e/ou criados no Japão, que entendem pouco o português (e nada de política brasileira), mas foram votar. É intrigante o que uma voluntária comentou: há eleitores da terceira idade que precisaram de assistência por não conseguirem entender bem o português (e, provavelmente, o aplicativo e-Título).
Escrevo esta coluna na manhã de 26 de outubro, vendo o noticiário sobre a reeleição de Lula. Espero que, apesar das infindáveis pautas domésticas, o governo zele mais pelos brasileiros no exterior.
Para terminar, uma pergunta: será que vai chegar o dia em que os brasileiros no exterior poderão votar não só para presidente, mas também para o Congresso Nacional?










