Um trabalho voluntário que venho fazendo há anos é o de Managing Director da Association of Nikkei & Japanese Abroad, que realiza todos os anos uma convenção internacional dos nikkeis (descendentes de japoneses). Os diretores geralmente são diplomatas aposentados que foram embaixadores no Brasil e em outros países da América Latina. Durante décadas, o foco dessa convenção foi reunir os líderes nikkeis do mundo inteiro. Aí surgiu a onda dekassegui, e eles sentiram a necessidade de dar atenção aos nikkeis que moram no Japão. Por isso, decidiram me convidar para ser um dos diretores.
A conta deles foi simples: depois do Brasil e do Havaí, o Japão virou o país com a maior presença de nikkeis no mundo. De fato, se somarmos o número de brasileiros e outros estrangeiros que vieram ao Japão graças ao visto para nikkeis (e não voltaram para seus países), a terceira maior comunidade nikkei do mundo está aqui.
A 66ª edição da Convenção, no início de outubro, contou com a presença do príncipe Akishino e da princesa Kiko. No painel que moderei, uma das palestrantes foi Lissa Kikuyama, que atua há décadas na HICE, em Hamamatsu. Para a palestra inaugural, convidamos Kunio Umeda, que já foi embaixador tanto no Brasil quanto no Vietnã. Ele conhece tanto a realidade dos nikkeis quanto a dos vietnamitas, que são agora os personagens principais entre os trabalhadores estrangeiros no Japão.
Umeda lavou a minha alma, pois falou tudo o que os brasileiros gostariam de reivindicar ao governo japonês neste momento. Frisou que o Japão tem a obrigação de dar tratamento especial aos nikkeis, incluindo uma flexibilização do visto para yonsei (quarta geração), já que eles são fruto de uma imigração que foi incentivada pelo próprio governo japonês.
Citou também um public comment que um veterano da comunidade, Claudio Akiyama, enviou ao governo a respeito dos aumentos assustadores nas taxas de renovação e mudança dos vistos para estrangeiros no Japão. Um dos pontos que ele reivindicou foi a necessidade de taxas mais baratas ou descontos para crianças, pois elas ainda não têm renda própria, e uma família com filhos em idade escolar terá que desembolsar uma fortuna só para renovar os vistos.
É sempre melhor ter um ex-diplomata como nosso porta-voz.
P.S.: Para ler um artigo sobre a Convenção publicado no jornal Asahi, acesse o LINK.
https://www.asahi.com/articles/ASVB73VX7VB7OXIE007M.html?iref=pc_photo_gallery_bottom










