Texto exclusivo do Professor Angelo Ishi para a revista Alternativa.
Quando soube que o filme de animação “Eu e Meu Avô Nihonjin” seria exibido no Japão, fiquei feliz porque ele conta com a participação de dois criadores talentosos que já tive o prazer de entrevistar: Oscar Nakasato e Oscar Oiwa. Só esses dois “Oscars” já são suficientes para tornar esse filme, que estreia em 7 de agosto, imperdível.
O filme é baseado no livro “Nihonjin”, de Oscar Nakasato. A obra ganhou o Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira. Nakasato esteve no Japão em 2022 para o lançamento da tradução japonesa do livro. Na ocasião, fui convidado para comentá-lo em um book talk, em Tóquio. Lá, eu disse que torcia para que sua obra fosse adaptada para o cinema pelas mãos do diretor Hirokazu Kore-eda (do aclamado “Assuntos de Família”). Nakasato respondeu que uma produtora brasileira já havia adquirido os direitos de adaptação. Mal imaginei, naquela época, que sua obra se transformaria em um desenho animado — e que o resultado seria tão interessante.
A diretora do filme é Célia Catunda, criadora da famosa série infantil “O Show da Luna!”. Talvez por isso, o longa tenha um tom leve, ideal para famílias que desejam levar as crianças ao cinema. Mas o que o público verá está longe de ser uma aula enfadonha sobre a história da imigração. Assim como o romance de Nakasato, o filme nos convida a refletir sobre preconceitos, crises de identidade e conflitos entre gerações, sem cair no tédio. Além disso, aborda um tema que permanece tabu na comunidade nipo-brasileira: a perseguição promovida pelos “vitoristas” — que acreditavam na vitória do Japão na Segunda Guerra Mundial — contra os “derrotistas”.
Será que esse filme conseguirá agradar ao exigente público japonês, acostumado a alguns dos melhores desenhos animados do mundo? É aí que entra em cena o outro Oscar: o artista Oscar Oiwa, paulistano que hoje mantém seu ateliê em Nova York. Anos atrás, participamos juntos de um online talk em comemoração ao Dia Internacional do Nikkei (disponível no canal do YouTube do Kaigai Nikkeijin Kyokai). Foram justamente as obras pintadas por ele que serviram de base para a identidade visual de “Eu e Meu Avô Nihonjin”. Mesmo quem não se interessa tanto pela saga dos imigrantes certamente apreciará as belas cenas e imagens inspiradas em seu trabalho. Confira o trailer e as salas de exibição pelo link abaixo.










