Reportagem da edição 640 da Alternativa.
Confusão mental, tontura e vômitos podem ser os primeiros sinais de uma emergência capaz de provocar danos no cérebro, nos rins e no coração. Em meio a temperaturas superiores a 40°C no Japão, entender o que realmente acontece com o organismo pode salvar vidas.
Por Redação – Entre os dias 13 e 19 de julho, 10.857 pessoas foram transportadas de ambulância no Japão por doenças relacionadas ao calor, segundo dados da Agência de Gestão de Incêndios e Desastres. Na semana anterior, haviam sido 4.580 casos. Em apenas sete dias, portanto, o número mais que dobrou. Em 21 de julho, três estações meteorológicas superaram os 40°C. No dia 22, foram quatro; no dia seguinte, sete. Em algumas dessas datas, mais de 280 pontos de observação registraram temperaturas iguais ou superiores a 35°C. A Agência Meteorológica do Japão passou a utilizar em 2026 uma nova classificação para dias com temperatura de 40°C ou mais: kokushobi, ou “dia de calor cruel”. O nome não é exagero.
O QUE É INSOLAÇÃO
Insolação é a forma mais grave das doenças provocadas pelo calor. Ela acontece quando o organismo perde a capacidade de controlar sua própria temperatura, que sobe rapidamente e pode ultrapassar os 40°C, colocando em risco o cérebro, o coração, os rins e outros órgãos. Sem tratamento imediato, pode levar à morte. Uma pessoa pode sofrer uma emergência grave provocada pelo calor dentro de casa, durante a noite, em uma fábrica, em um carro estacionado, em uma cozinha, em um ginásio ou em qualquer ambiente quente e pouco ventilado. No Japão, a palavra mais utilizada é netchusho, que corresponde a um conjunto de doenças provocadas pelo calor. Esse conjunto inclui quadros leves, como cãibras e tontura, situações intermediárias de exaustão pelo calor e, nos casos mais graves, heatstroke, a forma potencialmente fatal que em português costuma ser chamada de insolação ou golpe de calor.
APRENDA A DETECTAR A INSOLAÇÃO E A AGIR RAPIDAMENTE
Em ambientes muito úmidos, condição comum no verão japonês, o suor evapora com dificuldade. A pessoa pode estar ensopada e, ainda assim, não conseguir perder calor adequadamente. Se ela também estiver desidratada, o volume de sangue circulante diminui. O coração precisa trabalhar mais para levar sangue à pele e, simultaneamente, manter os órgãos irrigados. A temperatura interna começa então a subir.
Confusão, fala enrolada, comportamento estranho, desorientação, convulsões ou perda de consciência indicam que o calor já está afetando o sistema nervoso central.
Na exaustão pelo calor, a pessoa geralmente continua consciente e consegue responder de forma coerente. Pode apresentar:
- suor intenso;
- sede;
- fraqueza;
- tontura;
- dor de cabeça;
- náusea ou vômito;
- cãibras;
- pele fria ou úmida;
- sensação de desmaio;
- coração acelerado.
Nesse estágio, é preciso interromper imediatamente a atividade, levar a pessoa para um ambiente fresco, afrouxar as roupas, iniciar o resfriamento e oferecer líquidos apenas se ela estiver plenamente consciente e conseguindo engolir normalmente.
Na insolação, surgem sinais de comprometimento cerebral:
- confusão ou desorientação;
- dificuldade para falar;
- comportamento incomum;
- incapacidade de andar normalmente;
- agitação ou irritabilidade;
- convulsão;
- desmaio;
- perda de consciência.
A temperatura interna frequentemente está em torno de 40°C ou mais, mas esperar uma medição exata pode atrasar o socorro. Axilas, testa e ouvido nem sempre refletem corretamente a temperatura dos órgãos internos.
No Japão, deve-se ligar imediatamente para o 119 quando a pessoa estiver confusa, inconsciente, sofrendo convulsões, incapaz de beber ou quando os sintomas não melhorarem rapidamente após o resfriamento.











