Nascimentos despencam, cidades encolhem e o país corre contra o tempo para impedir que a crise demográfica comprometa escolas, empresas, aposentadorias e o próprio futuro da sociedade
Em algum lugar do Japão, uma escola fecha porque já não há alunos suficientes. Em outro município, uma maternidade encerra atividades por falta de partos. Lojas baixam as portas, linhas de ônibus desaparecem e casas vazias começam a ocupar ruas antes cheias de famílias.
Não se trata de uma previsão distante. É o Japão de agora.
Em 2025, nasceram 671.236 crianças de mães japonesas residentes no país. Foi o menor número já registrado e uma nova queda em relação ao ano anterior. A taxa de fecundidade, que estima quantos filhos uma mulher teria ao longo da vida se o padrão daquele ano permanecesse, caiu para 1,14. Para que uma população consiga se renovar sem depender da imigração, o patamar necessário fica próximo de 2,1 filhos por mulher.
O número assusta ainda mais quando colocado em perspectiva. Em 1949, no auge do baby boom do pós-guerra, o Japão registrou aproximadamente 2,7 milhões de nascimentos. Em 2024, foram apenas 686.061, cerca de um quarto daquele total. No mesmo ano, mais de 1,6 milhão de pessoas morreram. O saldo natural ficou negativo em mais de 919 mil habitantes.
É como se, em apenas um ano, o país perdesse uma população equivalente à de uma grande cidade.
A queda chegou antes do previsto
O Japão sabia que teria menos crianças. O que não esperava era que isso acontecesse com tamanha velocidade. O número de nascimentos caiu para a faixa de 670 mil cerca de 15 anos antes do cenário intermediário previsto. O instituto demográfico japonês projeta que a população do país, hoje superior a 120 milhões, poderá cair para aproximadamente 87 milhões em 2070. Quase 40% dos moradores poderão ter 65 anos ou mais.










