Naomi Sakamoto, educadora parental, com especialização em adolescentes; Educadora Sexual e Emocional; e Coordenadora da Campanha Ninguém Mexe Comigo.
@naomi_sakamoto_
Antes de aprender a dizer “não”, uma criança precisa saber que seus sentimentos importam.
Medo, vergonha, tristeza, nojo ou desconforto fazem parte da infância. Mas será que estamos ensinando nossas crianças a reconhecer o que sentem? E, principalmente, estamos preparados para escutá-las?
Quando uma criança diz “não gostei”, “estou com medo” ou “não quero”, ela está comunicando algo importante. Acolher essas manifestações, sem ridicularizar ou minimizar seus sentimentos, ajuda a construir uma relação de confiança. E essa confiança pode fazer toda a diferença quando ela precisar pedir ajuda.
No Japão, a educação para a prevenção da violência sexual também começa na infância.
O Ministério da Educação japonês (MEXT) desenvolveu o programa Inochi no Anzen Kyoiku (生命の安全教育), “Educação para a Segurança da Vida”. Seus materiais, revisados em março de 2026, apresentam orientações adequadas às diferentes idades, começando pela educação infantil.
O documento reconhece sentimentos desagradáveis (iya na kimochi), o respeito ao próprio corpo e ao corpo dos outros e a importância de procurar um adulto de confiança diante de situações desconfortáveis.
Reconhecer o que sentimos também faz parte de aprender a nos proteger.
Essa abordagem nos convida a refletir sobre atitudes cotidianas. Quando obrigamos uma criança a abraçar ou beijar alguém, mesmo demonstrando desconforto, que mensagem estamos transmitindo sobre seus limites?
Respeitar o direito de recusar um contato físico é uma oportunidade de ensinar que seu corpo merece respeito. Mas é importante lembrar que a responsabilidade de prevenir e interromper a violência é sempre dos adultos, nunca da criança.
Conhecer iniciativas como essa nos convida a ampliar o diálogo sobre educação protetiva entre as famílias brasileiras que vivem no Japão. Afinal, proteger nossas crianças é uma responsabilidade que precisa ser compartilhada por toda a sociedade.
Não precisamos esperar que algo aconteça para conversar sobre sentimentos, respeito e limites. Essas conversas podem fazer parte da infância, de maneira natural, acolhedora e adequada à idade.
Porque proteger uma criança não é apenas ensiná-la a dizer “não”. É garantir que, quando ela precisar falar, exista um adulto disposto a ouvir, acreditar e agir.
Fontes:
- Ministério da Educação do Japão (MEXT)
Programa Inochi no Anzen Kyōiku (生命の安全教育) — Educação para a Segurança da Vida.
Página oficial:
https://www.mext.go.jp/a_menu/danjo/anzen/index.html - Manual de orientação do MEXT — março de 2026
Documento com orientações sobre prevenção da violência sexual, respeito ao corpo, reconhecimento de situações desconfortáveis e busca de ajuda.
https://www.mext.go.jp/content/20260326-mxt_kyousei02-000014005-001.pdf - Documento sobre as atualizações do programa em 2026
https://www.mext.go.jp/content/20260326-mxt_kyousei02-000014005-015.pdf
As referências são documentos oficiais do Ministério da Educação japonês.










