Artigo do Professor Angelo Ishi exclusivo para a edição 644 da Revista Alternativa.
Até algum tempo atrás, um típico sermão que os professores davam aos alunos era: “Não copie coisas da Wikipédia! E nunca copie textos dos outros sem citar a fonte, porque isso é igual a um roubo e você estará violando os direitos autorais!”
Hoje, a minha batalha em sala de aula é contra um inimigo invisível, muito mais esperto: a famosa IA, inteligência artificial. Alunos que até ontem não conseguiam redigir sequer uma linha se transformaram, de repente, em escritores brilhantes. Gente que detesta estudar e mal aparece nas aulas tem a ousadia de entregar um trabalho de 20 páginas sem ter lido sequer um livro. Sim, tudo graças ao recurso mágico chamado IA.
Você deve saber que, em muitos casos, o professor consegue desmascarar quem fez a IA produzir um texto no seu lugar. Isso porque a IA é “inteligente” e “burra” ao mesmo tempo. Ela é tão criativa que é capaz de inventar bibliografia, ou seja, inventa livros que nem existem, autores que nunca existiram, artigos que nunca foram escritos. Uma aluna minha entregou um trabalho que trazia a citação bibliográfica de um livro escrito em coreano e outro em chinês, sendo que ela jamais estudou língua alguma…
A melhor análise sobre os perigos da IA que li recentemente é a do New York Times. No artigo “O que os estudantes perdem quando param de escrever”, a autora Dana Goldstein alerta que muitos jovens já não conseguem escrever um texto sem a ajuda da IA. E cita uma comparação feita pelo psicólogo Ronald T. Kellogg, que achei perfeita. Segundo ele, escrever um artigo convincente é um exercício tão cansativo para a mente que, se o compararmos a um exercício físico, equivaleria ao cansaço de quem é obrigado a pegar uma enxada e cavar um buraco. Assim como cavar um buraco é exaustivo e exige o uso simultâneo de todos os músculos possíveis, escrever um relatório exige múltiplas habilidades: vocabulário, gramática, raciocínio lógico. Escrever cansa! Por isso, muita gente diz que “esse texto foi um parto”. Mas Kellogg alerta: fugir desse exercício não é bom para ninguém, ainda mais para as crianças que terão uma vida inteira pela frente. Escrever é preciso. Não deixemos que a IA pense por nós e fale por nós!
P.S.: Confira o artigo do New York Times neste link:
https://www.nytimes.com/2026/08/17/us/student-writing-essays-ai.html










