Repleta de novidades, esta edição traz reportagem especial sobre a riqueza do Japão.
Por que o Japão é tão rico?
Já estamos acostumados a olhar o Japão como um lugar com pouca desigualdade, segurança e estabilidade. Mas já se perguntou por que um país pequeno e repleto de dificuldades ambientais é o quarto país mais rico do mundo? Território pequeno, repleto de montanhas, quase zero terra agricultável, poucos minérios, população que envelhece rapidamente. O Japão tem mil motivos para não se desenvolver, mas desde os anos 1960 é uma das quatro maiores potências econômicas do mundo. Mergulhamos a fundo para entender o que aconteceu nos anos 1960 que gera até hoje tanta riqueza. Leia a reportagem especial na Revista Alternativa, edição 623.
PONTO DE VISTA
Estrangeiros no Japão
Riscos e reflexões com a nova primeira-ministra
Artigo do professor Angelo Ishi
Com a nova primeira-ministra, as políticas para os estrangeiros no Japão ainda estão sendo desenhadas. Artigo inédito do professor Ângelo debate os possíveis caminhos e desafios. Leia o artigo completo na Revista Alternativa, edição 623.
JAPONÊS MANEIRO
Frases introdutórias em japonês
Chotto oukagai shitai no desu ga
Artigo do professor Caruso
O professor Caruso nos ensina como dizer “deixa eu te fazer uma pergunta…”. É uma frase de introdução importante e bastante usada no dia a dia no Japão. Aprenda os detalhes no artigo completo na edição 623 da Alternativa.
OUTONO
Outono sempre lindo no Japão
Guia de parques para curtir a estação
Preparamos nesta edição 623 um guia com parques do sul até o norte para você apreciar as paisagens mais bonitas do outono japonês. Confira na edição 623, que já está distribuída.
SAÚDE EM DIA
E se tudo der errado?
E se eu falhar?
Artigo do psicólogo Irineu Jo
Irineu reflete, em artigo inédito, que se a mente adoece, o corpo adoece também. Por isso, diz ele, a cura vem da forma como sentimos o mundo. Leia o artigo completo nesta edição 623.
A IMAGEM QUE VOCÊ TRANSMITE
Presentes de Natal originais
A forma como escolhe os presentes melhora sua imagem
Artigo de Aline Fraga
Em artigo inédito, Aline Fraga explica as sutilezas de comprar presentes de Natal no Japão, especialmente no ambiente corporativo. Aline ensina a surpreender na medida certa.
A BELEZA COMO FORMA DE EXPRESSÃO
Ritual de preparação para o inverno
Sua pele e seu corpo merecem
Artigo de Priscilla Kajihara
“Ei… você está cuidando de mim?”. Nossa colunista Priscilla reflete sobre como cuidar de si mesma nesta fase entre o outono e o inverno. Pele, lábios, cabelo e corpo: cuide com muito carinho de cada aspecto do seu corpo, pois a época é seca e ele merece. Leia todos os detalhes nesta edição 623 da Alternativa.
CULINÁRIA
Receita de tortas
Aprenda as massas Brisée, Sablée e Sucrée
Artigo da chef Mizinha
A chef Mizinha ensina as massas Brisée, Sablée e Sucrée para você preparar tortas incríveis. Ela conta que, para receitas tão delicadas, o manuseio deve ser cuidadoso — mas o resultado impressiona.
O Japão é considerado um país rico por uma combinação de fatores históricos, culturais, tecnológicos e econômicos.
Não é “riqueza” no sentido de recursos naturais — porque o Japão tem poucos recursos —, mas sim riqueza criada pelo capital humano, inovação e estratégia nacional.
motivos:
Forte investimento em educação e qualificação
Indústria tecnológica e de alta qualidade
Organização, disciplina e cultura de trabalho
Infraestrutura extremamente eficiente.
“O Japão é riquíssimo” — só na capa da revista
Uma análise irônica baseada em fatos que ninguém no Nihon gosta de ouvir.
É curioso ver revista dizendo que “o Japão é riquíssimo”. Rico? O PIB per capita do Japão é o mais baixo do G7. É o último lugar entre EUA, Alemanha, Reino Unido, França, Canadá e Itália.
PIB per capita aproximado (2024, nominal/PPP):
EUA: cerca de 80 mil dólares
Canadá: cerca de 59 mil dólares
Alemanha: cerca de 56 mil dólares
Reino Unido: cerca de 52 mil dólares
França: cerca de 48 mil dólares
Itália: cerca de 43 mil dólares
Japão: cerca de 42 a 48 mil dólares (o menor do G7)
O japonês comum não é rico. Quem ficou realmente rico foi o Tesouro japonês, operando como alguém que ostenta bens financiados, vivendo de crédito barato e dívida acumulada.
O Japão ostenta trens impecáveis, infraestrutura limpa e tecnologia visível. Mas tudo isso é sustentado por uma dívida pública de aproximadamente 260% do PIB, a maior proporção do mundo. Com juros zero ou negativos por décadas, o país funciona como quem vive de crédito rotativo com juros negativos: parece riqueza, mas é apenas uma bola de neve cuidadosamente empurrada para o futuro.
Enquanto isso, boa parte da Ásia ultrapassou o Japão silenciosamente. Em PIB per capita PPP, Singapura, Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul já estão muito acima. A Malásia se aproxima rapidamente. Regiões urbanas da China já empataram ou superaram o nível de renda de várias regiões japonesas. Tailândia, Vietnã e outros seguem crescendo muito mais que o Japão, que permanece em estagnação demográfica e salarial há mais de três décadas.
Dentro do Brasil há outra surpresa. O Estado de São Paulo já se aproxima muito do Japão em PIB per capita PPP. O Japão gira em torno de 48 mil dólares. O Estado de São Paulo está na faixa de 32 a 35 mil dólares, dependendo da metodologia. A distância é muito menor do que muitos imaginam.
Além disso, várias cidades paulistas já superaram o Japão em PIB per capita nominal. Barueri ultrapassa facilmente o equivalente a 80 mil dólares por habitante. Paulínia está acima de 70 mil. São Caetano gira em torno de 40 a 45 mil. Jaguariúna e Vinhedo variam entre 35 e 50 mil. Embora PIB municipal não represente renda individual, esses números mostram que o “Japão rico” muitas vezes tem renda real menor do que bolsões de prosperidade existentes dentro do próprio Brasil.
O mito do “Nihon é riqueza garantida” permanece preso aos anos 1990. Hoje, a realidade é bem menos glamourosa.
E aqui está a frase que incomoda, mas precisa ser dita: aquele seu cunhado que recusou vir para o Japão e permaneceu em São Paulo provavelmente está melhor de vida do que você. Ele trabalha menos horas, enfrenta um custo de vida muito menor, não vive apertado em um apartamento minúsculo e não precisa contribuir para sustentar uma dívida pública gigantesca. No fim de semana ainda faz churrasco sem depender de horas extras.
Enquanto isso, muitos dekasseguis continuam acreditando que vivem no “país mais rico do mundo”, quando na verdade vivem em um país de classe média alta com salários de classe média baixa, sustentado artificialmente por políticas monetárias de emergência que já duram mais de trinta anos.
O Japão parece rico. São Paulo parece caótico. Mas a distância entre ambos, quando se considera poder de compra, renda ajustada e custos reais de vida, é muito menor do que o mito admite. E em vários casos, os brasileiros que ficaram no Brasil, especialmente em São Paulo, estão hoje financeiramente melhor do que parentes que apostaram no sonho japonês dos anos 1990.
A capa da revista diz uma coisa. Os números dizem outra.