O que está acontecendo com nossas crianças?
Além da relação com pais, há celulares e internet, problemas financeiros e amizade
Um estudante do ensino médio no Japão passa, em média, 6 horas e 44 minutos por dia na internet. Entre alunos do ensino fundamental II, são 5 horas e 24 minutos. Todos são recordes. Para milhões de crianças e adolescentes, tornou-se um dos principais ambientes onde passam a vida.
Os sinais de que alguma coisa mudou também aparecem nas escolas. No ano letivo de 2024, 353.970 alunos do ensino fundamental deixaram de frequentar regularmente as aulas, o maior número já registrado e o 12º ano consecutivo de aumento. As escolas reconheceram ainda 769.022 ocorrências de bullying, 1.405 situações consideradas graves e cerca de 129 mil episódios de violência, todos em níveis recordes.
Em 2025, 538 estudantes tiraram a própria vida no Japão, também o maior número da série histórica. Um estudo com 12.611 crianças japonesas encontrou uma associação 56% maior com tempo excessivo de tela entre aquelas que não tinham regras familiares para seu uso. Os números recolocam uma questão antiga no centro da família moderna: quem estabelece os limites?
Culpar simplesmente os pais, porém, seria ignorar outra parte da história. Pesquisa nacional divulgada em 2026 pelo Centro Nacional de Saúde e Desenvolvimento Infantil mostrou que 41% das famílias com adolescentes consideravam sua situação econômica difícil em 2025, contra 34% dois anos antes.












O comentário da Kyoko Asano nessa matéria me fez refletir muito: “Os brasileiros são muito bons em aproveitar a vida, e considero isso maravilhoso. Penso que, se o Brasil valoriza mais a educação, talvez pudesse se tornar um tipo de lugar ideal para o mundo.”
Isso me fez pensar que, se tivéssemos mais acesso a educação, melhores oportunidades de emprego e segurança, muitos de nós jamais escolheríamos migrar.
Além de que essa fala reflete muito o momento politico em que o Brasil está passando.