O Brasil se prepara para uma das disputas presidenciais mais acirradas de sua história recente. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu ao conquistar 56.104.503 votos (47,03% dos votos válidos), superando o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu 53.879.538 votos (45,16%). A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, em uma eleição marcada pela polarização política e pela elevada abstenção, que atingiu 21,08% do eleitorado. Bolsonaro venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula liderou em 12.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os dois candidatos intensificam suas campanhas em busca dos eleitores que votaram em outros nomes, se abstiveram ou ainda estão indecisos. Flávio Bolsonaro tenta consolidar sua vantagem explorando o desejo de mudança de parte da população, enquanto Lula aposta nas realizações de seu governo e na mobilização de sua base eleitoral para reverter o resultado. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg, divulgado em 9 de outubro, indicou 52,8% dos votos válidos para o candidato do PL, contra 47,2% para Lula.
UM BRASIL, DUAS CORES
O mapa eleitoral revela um país dividido entre dois projetos políticos, com diferenças regionais, econômicas e culturais que ajudam a explicar a força de Lula e Flávio Bolsonaro.
Vermelho de um lado, azul do outro. O mapa da eleição presidencial de 2026 parece mostrar dois países dentro de um só. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a maioria em 12 estados. O petista manteve sua força no Nordeste, onde recebeu 63,8% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro venceu nas outras quatro regiões, alcançando 60,1% no Sul.
Mas as cores escondem uma realidade mais complexa: mesmo nos estados amplamente vermelhos ou azuis, milhões de eleitores votaram no candidato adversário.
Essa divisão não surgiu agora. Desde 2018, as eleições presidenciais brasileiras são marcadas pelo confronto entre o lulismo e o bolsonarismo, movimentos que ultrapassam os partidos e mobilizam diferentes visões sobre economia, segurança, religião, costumes e o papel do Estado.
O cientista político Benedito Tadeu César, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destacou, em análise publicada em setembro, que a força eleitoral de Lula no Nordeste está relacionada às transformações sociais ocorridas durante seus governos. Para ele, o desenvolvimento da região ajuda a explicar a identificação de parte do eleitorado com o presidente. Já o cientista político Cláudio André de Souza, professor da Unilab, observa que o Nordeste também apresenta espaço para o crescimento da direita, especialmente nas disputas locais. Essas análises mostram que o voto regional envolve tanto a memória das políticas públicas quanto as lideranças e alianças políticas de cada estado.











