ALTERNATIVA, 25 ANOS
A comunidade brasileira sempre no centro da revista
Há oito anos no Japão e há mais de 20 no jornalismo, Alesse Nunes une pesquisa, experiência e escuta da comunidade para pensar o presente e o futuro da Alternativa.
Você chegou à Alternativa há pouco tempo. Como foram seus primeiros meses na revista?
ALESSE: Entrei na Alternativa em maio de 2025, então minha história dentro desses 25 anos ainda é muito pequena. Mas foi uma chegada muito intensa; cada edição é um enorme desafio, uma semana parece durar meses! (risos). Sou jornalista há mais de 20 anos e, mesmo com alguma experiência, trabalhar diretamente com a comunidade brasileira no Japão me colocou diante de uma realidade muito particular. Logo nos primeiros meses percebi que havia uma quantidade enorme de histórias que precisavam ser contadas. O presidente da empresa, Ricardo Tai, sempre reforça que nosso papel é contar a história da comunidade brasileira no Japão; esse direcionamento me dá um enorme senso de responsabilidade em cada edição, em cada matéria e entrevista. Histórias de trabalho, família, educação, preconceito, saúde, imigração, sonhos e dificuldades que muitas vezes ficam escondidas no cotidiano.
Você já vivia no Japão havia vários anos. Como essa experiência influenciou seu trabalho?
ALESSE: Estou no Japão há oito anos e meio. Vim inicialmente para estudar, fiz meu mestrado em Hachioji, na Universidade Soka, em estudos internacionais da paz e depois o doutorado em educação e felicidade na mesma instituição. Foi uma experiência absurdamente transformadora. Durante esses oitos anos, minha relação com o Japão foi muito além da universidade. Eu também era estrangeiro, precisava aprender a viver aqui, entender as regras, os costumes e as dificuldades de construir uma vida em outro país. Sofri muito, me superei, aprendi, vi uma realidade difícil mas como bom brasileiro, venci! Mesmo assim, trabalhando na Alternativa, passei a conhecer de maneira muito mais profunda a realidade da comunidade brasileira. E algo que ainda me espanta é a quantidade de desafios que muitas famílias enfrentam diariamente.
Sua formação acadêmica acabou se encontrando com o jornalismo?
ALESSE: Completamente. Minha pesquisa no Japão está ligada à educação, à felicidade e à maneira como as pessoas podem desenvolver suas potencialidades. Acredito totalmente na revolução humana, na capacidade de cada um de transformar a situação e criar valores novos e saudáveis. Isso influencia muito a forma como enxergo o jornalismo hoje. Estudei por seis anos no doutorado a ideia de felicidade absoluta, um conceito do filósofo e educador Daisaku Ikeda que me fascina. Quando entrevisto uma família, uma criança, um trabalhador ou alguém passando por uma situação difícil, tento olhar além do problema imediato e conectar com os anos de estudo. Quero entender o contexto, as causas e, sempre que possível, mostrar caminhos. Aprendi que as pessoas crescem quando são estimuladas e sentem confiadas. A pesquisa científica também me tornou ainda mais cuidadoso com evidências, dados e fontes.
O que mais chamou sua atenção ao se aproximar mais da comunidade brasileira?
ALESSE: A força das pessoas, mas também o quanto ainda existem dificuldades silenciosas. O brasileiro no Japão trabalha muito, cria filhos, paga impostos, movimenta a economia e constrói sua vida aqui. Mas ainda encontramos famílias que não sabem a quem recorrer diante de um problema, crianças enfrentando dificuldades na escola, pessoas que não conhecem seus direitos ou simplesmente não conseguem acessar uma informação porque ela está em japonês. Isso me marcou bastante. Quanto mais conheço a comunidade, mais percebo que uma revista como a Alternativa não pode apenas informar. Ela precisa ouvir, explicar, investigar e ajudar a aproximar as pessoas das informações que podem transformar sua vida.
Depois de 25 anos de Alternativa, como você imagina o futuro da revista?
ALESSE: No gráfico que montei nesta página, apresento os pilares do meu trabalho na Alternativa; acredito que eles mostram como a revista é hoje. A Alternativa precisa preservar aquilo que construiu nesses 25 anos, a confiança da comunidade. Mas ao mesmo tempo é hora de se transformar profundamente. O brasileiro no Japão mudou, a maneira de consumir informação mudou e o próprio jornalismo mudou. A inteligência artificial está nos empurrando para novos desafios. Precisamos estar no impresso, no site, nas redes sociais, no celular e onde mais a comunidade estiver. Mas, para mim, tecnologia é apenas ferramenta. O centro continuará sendo a pessoa. Desejo uma Alternativa cada vez mais próxima dos brasileiros, capaz de investigar os grandes problemas da comunidade, valorizar suas conquistas, explicar o Japão de maneira simples e também ajudar a construir pontes entre brasileiros e japoneses. Se conseguirmos fazer isso, os próximos 25 anos podem ser ainda mais interessantes do que os primeiros.







Revista Alternativa 25 anos de historia,resistência e conquistas. Que venham novos capítulos, novas histórias e muitas outras conquistas que a revista continue sendo uma ponte entre pessoas,culturas e sonhos !! Com profunda admiração,
carinho e reconhecimento.