25 anos Alternativa
O OLHAR E A ARTE POR TRÁS DA ALTERNATIVA
Há mais de uma década responsável pelo design gráfico da Revista Alternativa, Ernesto Alejandro Teruya ajudou a construir a identidade visual da publicação. Ele relembra capas marcantes, a transformação da produção editorial e os novos desafios trazidos pela inteligência artificial.
Como era o trabalho de diagramação e produção visual quando você começou?
ERNESTO: Minha formação, na verdade, é em publicidade. Comecei no departamento de criação de uma agência de publicidade em Lima, no início dos anos 1990. Naquela época, fazia os esboços à mão, em papel, com lápis de cor e canetinhas (risos). Tudo era manual: os anúncios e os storyboards para televisão que, depois de aprovados pelo cliente, seguiam para o departamento de arte-final e, no caso dos storyboards, para a filmagem do comercial. Alguns anos depois, já trabalhando no Japão na área de imprensa, tive meu primeiro contato com computadores e programas de design.
Ao longo de todos esses anos, qual reportagem, edição ou projeto visual da Alternativa mais marcou você?
ERNESTO: Vários. Se eu pensar apenas nas capas, poderia citar a reportagem sobre os brasileiros desaparecidos no Japão, a dos sobrenomes japoneses e suas origens, a capa da Covid-19 e a da invasão russa à Ucrânia.
Agora, se eu considerar em conjunto o design da capa e a matéria principal, destacaria a Copa do Mundo do Catar de 2022, a reportagem sobre os influenciadores brasileiros no Japão, as tensões diplomáticas entre China e Japão e o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A produção gráfica mudou muito com a digitalização e com a evolução dos softwares de edição. Quais foram os maiores desafios dessa transformação para você?
ERNESTO: Nos anos 1990, os softwares eram bastante básicos e rudimentares. Lembro-me de uma ilustração para a capa de um livro que fiz no Photoshop 2.0, quando ainda não existiam os painéis History nem Layers. Levei um mês para concluí-la; hoje, faria o mesmo trabalho em um ou dois dias.
Para design editorial, usavam-se o Aldus/Adobe PageMaker e o QuarkXPress. O PageMaker não existe mais. O QuarkXPress ainda está no mercado, mas o padrão passou a ser o Adobe InDesign, lançado em 1999 e que utilizamos até hoje.
É um programa muito superior: oferece mais ferramentas, praticidade, automatismos e até alertas de erros técnicos. Algo semelhante aconteceu com a evolução do Adobe Photoshop e do Adobe Illustrator, cujas versões recentes oferecem recursos e possibilidades que antes pareciam impossíveis, tanto no tratamento de imagens quanto no design vetorial.
Na prática, o que a IA já mudou no seu trabalho?
ERNESTO: Por experiência própria, posso dizer que a IA reduziu bastante o tempo de produção. Hoje, por exemplo, o recorte de imagens pode ser automatizado em cerca de 90% dos casos. O que antes levava de cinco minutos a meia hora, dependendo da imagem, agora pode ser feito em segundos graças aos automatismos e às ferramentas da Adobe.
Também existem funções capazes de aumentar o tamanho de uma imagem e ampliar sua área por meio de IA generativa, sem grande perda de qualidade ou de detalhes.
Quando se trata, porém, de gerar imagens totalmente realistas a partir de um prompt, é preciso prestar bastante atenção aos pequenos detalhes. A IA ainda comete erros e não consegue ser totalmente perfeita ou natural.
No fim das contas, a inteligência artificial é uma ferramenta, um caminho, e ainda está longe de substituir a criatividade, que é inerente ao ser humano.
Um dos infográficos que mais chamou a atenção dos leitores mostrava o arsenal bélico de diferentes países. De onde vem esse conhecimento e essa curiosidade para transformar assuntos tão complexos em informação visual?
ERNESTO: Assim como o futebol, o cinema ou a música — e mesmo que soe contraditório —, a geopolítica e o tema bélico e armamentista são dois assuntos que me interessam e que venho acompanhando há anos. Que não me interpretem mal: não sou o típico entusiasta de guerra (risos). O que considero interessante é toda a tecnologia envolvida nessa área.
Até alguns anos atrás, falava-se principalmente em “ferro, bala e míssil”. Agora entram em cena os radares digitais AESA de última geração e, em contrapartida, a tecnologia stealth: a capacidade de evitar ser detectado por esses mesmos radares graças a vários fatores, como o design de quase todas as bordas importantes da aeronave — bordo de ataque e bordo de fuga da asa, estabilizadores, entradas de ar, portas de compartimentos internos, etc. —, que são orientadas no mesmo ângulo, além dos materiais compostos e revestimentos absorventes (RAM).
Diz-se, por exemplo, que a assinatura de radar de um F-35 Lightning II é menor do que a de uma bola de golfe. Na prática, isso significa que uma aeronave inimiga pode não detectá-lo até que seja tarde demais.
Também existem as suítes de guerra eletrônica, que utilizam sinais eletromagnéticos para “cegar” ou “enganar” radares inimigos, técnica conhecida como jamming. Entre os exemplos estão o Viper Shield, do caça americano F-16 Block 70; o SPECTRA, do francês Dassault Rafale; o AN/ASQ-239, também conhecido como Barracuda, do F-35; e o Arexis, do sueco Saab Gripen, aeronave que também está em serviço na Força Aérea Brasileira.
Poderíamos dizer que os caças modernos das gerações 4.5 e 5 são, na prática, computadores voadores. E tudo isso sem falar que já estamos começando a testemunhar o uso de armas a laser no âmbito militar, algo que até pouco tempo atrás parecia saído da ficção científica.
Como imagina o futuro da Alternativa e da própria diagramação nos próximos anos?
ERNESTO: Quanto ao futuro da revista, é evidente que a tendência aponta para o digital, embora seja preciso considerar vários fatores: o perfil do leitor e, em um cenário econômico difícil, a maneira como o mercado vai se comportar no Japão.











