Como identificar e valorizar aquilo que torna a sua imagem única
Artigo de Aline Fraga
Durante muito tempo, falar sobre estilo significou tentar encaixar pessoas em categorias: clássica, romântica, elegante, criativa, esportiva, sensual ou dramática. Como se, após responder a algumas perguntas de internet, fosse possível receber um diagnóstico definitivo sobre quem somos e o que deveríamos vestir.
Mas estilo não é uma fórmula pronta, muito menos um personagem que escolhemos interpretar, pois é uma linguagem construída ao longo da vida, que carrega referências familiares, da escola, da cidade em que viveu, da influência dos amigos, das mudanças de país, das transformações do corpo, das experiências profissionais, dos desejos, das inseguranças e até de versões de nós mesmas que já não existem mais. Por isso, identificá-lo pode parecer uma verdadeira saga.
Quando o guarda-roupa já não conta a sua história
Em determinadas fases, abrimos o armário e percebemos que temos muitas roupas, mas poucas parecem nos representar. Estudos mostram que somente cerca de 20% do seu guarda-roupa é usado.
Algumas dessas peças pertencem à mulher que fomos. Outras foram compradas para acompanhar tendências, atender às expectativas profissionais ou esconder partes do corpo que aprendemos a rejeitar. Há ainda aquelas escolhidas para uma vida imaginada: o vestido para a ocasião que nunca aconteceu, o salto para uma rotina que não temos ou a peça que só será usada “quando emagrecer”.
O resultado é um guarda-roupa cheio de possibilidades, mas desconectado da realidade.
Essa sensação não significa necessariamente que você não tenha estilo. Muitas vezes, significa apenas que sua imagem exterior ainda não acompanhou as transformações da sua identidade.
Os estilos universais são apenas referências, não prisões
A teoria dos sete estilos universais pode ajudar a reconhecer preferências visuais e compreender por que determinadas peças nos atraem. Cada estilo comunica características diferentes:
- O natural ou esportivo valoriza conforto, praticidade e descomplicação.
- O tradicional transmite seriedade, estabilidade e confiança, já o clássico acompanha todos os outros estilos ao longo dos tempos.
- O elegante ou sofisticado revela refinamento, qualidade e discrição.
- O romântico ou suave aproxima-se da delicadeza, da suavidade e dos detalhes mais femininos.
- O criativo ou teatral explora misturas, cores e combinações inusitadas e extravagantes.
- O dramático ou moderno comunica força, presença e impacto visual.
- O sexy ou sensual evidencia o corpo, a feminilidade e a segurança pessoal e passa a sensação de glow up e autoestima elevada.
Poucas pessoas pertencem exclusivamente a uma dessas categorias, pois somos combinações de algumas delas, umas com mais frequência, outras como complemento. Podemos buscar a estrutura do estilo elegante, a praticidade do natural e pequenas doses de criatividade. Também podemos nos vestir de maneira mais tradicional no trabalho e explorar uma imagem mais sensual ou descontraída na vida pessoal.
O estilo verdadeiro nasce justamente nesse encontro entre diferentes referências. Como identificar o seu estilo?
Em vez de começar perguntando “qual é o meu estilo?”, talvez seja mais revelador perguntar:
Como quero ser percebida?
As roupas que você mais usa oferecem pistas mais honestas do que aquelas que apenas admira. Observe quais peças proporcionam segurança, quais acompanham a sua rotina e quais fazem você se reconhecer diante do espelho.
Também vale analisar:
- as modelagens que aparecem repetidamente em suas escolhas;
- as cores que fazem você se sentir viva;
- os tecidos que proporcionam conforto;
- os acessórios que usa sem esforço;
- as peças pelas quais você recebe elogios sempre que as veste;
- as imagens que salva como inspiração;
- e, principalmente, o que existe em comum entre tudo isso.
Existe, porém, uma diferença importante entre admiração e identificação. Podemos considerar belíssimo o estilo de outra pessoa sem desejar viver dentro daquela estética. Uma referência só se torna útil quando conversa com o nosso corpo, rotina, personalidade e objetivos.
Morar no Japão também transforma a maneira de vestir
Para brasileiras que vivem no Japão, a construção do estilo pode atravessar ainda outra camada: a adaptação cultural.
As estações são mais definidas, os códigos de vestimenta podem ser mais discretos e o ambiente profissional frequentemente valoriza sobriedade e harmonia. Ao mesmo tempo, a moda japonesa oferece liberdade criativa, sobreposições, volumes, texturas e uma relação muito particular com os detalhes.
Entre a expressividade brasileira e a sutileza japonesa, pode nascer uma identidade visual singular. Não é necessário abandonar uma cultura para pertencer à outra. O estilo pode ser justamente o espaço onde essas duas referências se encontram.
Valorizar o estilo é editar, não acumular
Valorizar sua imagem não exige trocar todo o guarda-roupa. Exige clareza.
Quando compreendemos o que realmente nos representa, passamos a comprar melhor, combinar com mais intenção e recusar peças que não dialogam conosco. A roupa deixa de ser uma tentativa de correção e passa a funcionar como extensão da identidade.
Algumas escolhas ajudam nesse processo:
- Construa uma base coerente com a sua rotina.
Um guarda-roupa funcional deve servir à vida que você realmente leva. - Identifique seus elementos de assinatura.
Pode ser uma cor, um tipo de acessório, uma modelagem, um batom ou uma forma particular de combinar peças. - Use tendências como repertório.
Escolha somente aquilo que acrescenta algo à sua linguagem, sem apagar quem você é. - Vista o corpo que existe hoje.
Respeitar o corpo atual não significa desistir de transformá-lo, mas permitir-se viver com dignidade enquanto ele muda. - Considere a mensagem de cada ocasião.
Autenticidade também envolve compreender o ambiente e adaptar a imagem sem perder a própria essência.
O estilo também amadurece
Há quem tema perder a identidade ao mudar a maneira de vestir. Mas permanecer fiel a si mesma não significa permanecer igual.
O corpo muda. A carreira muda. Os relacionamentos, as prioridades e a percepção sobre nós mesmas também mudam. Um estilo saudável acompanha essas transformações. Ele não exige fidelidade a uma versão antiga, apenas coerência com a mulher que existe agora.
Se você busca a verdadeira elegância, não vista aquilo que esperam de você, nem repita fórmulas que um dia funcionaram, mas busque desenvolver consciência suficiente para escolher.
No fim, identificar seu estilo não é descobrir em qual categoria você cabe. É reconhecer quais elementos contam a sua história e decidir, com intenção, quais deles ainda merecem acompanhá-la.
Porque estilo não é uma fantasia usada para esconder quem somos, e sim a forma visível de assumir quem nos tornamos.
Por isso, sempre digo que não é a roupa que faz você evoluir, mas ela acompanha a sua evolução!
Quer saber mais detalhes sobre os estilos? Por qual deles devemos começar?











