Novembro Azul traz um alerta: os homens precisam de cuidados emocionais
Homens são maioria entre quem mata — e entre quem morre. O retrato global da violência ajuda a explicar por que a saúde masculina precisa sair da gaveta. Segundo a ONU, cerca de 90% dos suspeitos de homicídio são homens e 81% das vítimas também. A epidemiologia do crime, portanto, é majoritariamente masculina, especialmente entre jovens.
Na outra ponta do ciclo vital, os homens também vivem menos. Nos países da OCDE, a expectativa de vida média é 5,4 anos menor para eles (77,6 anos vs. 83,0 para elas). O excesso de mortes masculinas se explica, em parte, por comportamentos de risco (álcool, tabaco, dieta), acidentes, suicídios e violência.
O suicídio acentua a assimetria: em 2023, a taxa masculina foi quase quatro vezes maior que a feminina em registros dos EUA.
O paradoxo do cuidado: eles adoecem mais e procuram menos
No geral, homens evitam serviços de saúde. Revisões e inquéritos nacionais mostram menor procura por atendimento primário por parte deles — fenômeno associado tanto a barreiras objetivas (tempo, acesso) quanto a normas de masculinidade que desencorajam admitir dor e fragilidade. No Brasil há a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), vigente no SUS desde 2009, que nasceu para enfrentar esse vácuo.
Quando o tema é saúde mental, a lacuna se alarga. Evidências internacionais mostram que homens buscam menos tratamento psicológico.
Novembro Azul: de campanha de bigodes a agenda de saúde
Em novembro, campanhas voltam os holofotes à saúde masculina. O movimento nasceu como Movember na Austrália (2003) e, no Brasil, ganhou tração em 2011, com o Instituto Lado a Lado Pela Vida e a Sociedade Brasileira de Urologia levando o tema à rua, às empresas e aos serviços. O câncer de próstata é o símbolo do mês — também porque é o câncer mais incidente entre homens no país (excluída pele não melanoma).
Masculinidades e barreiras invisíveis
Novembro não é um convite a “fazer exame em todo mundo”, mas a marcar uma consulta, avaliar riscos individuais e planejar cuidados (da vacinação ao controle de pressão, do aconselhamento em saúde mental à atividade física). Pesquisas internacionais descrevem um conjunto de barreiras simbólicas: vergonha, ideal de autossuficiência, medo de diagnóstico, jornadas extensas, necessidade de autorização no trabalho e experiências negativas anteriores no serviço. Isso ajuda a entender por que eles chegam mais tarde e mais graves, seja na clínica médica, seja na psicologia. O dado duro é que o preço do atraso é pago em anos de vida: mais mortes por causas externas, mais sequelas por doença cardiovascular mal controlada, mais suicídios — e uma expectativa de vida teimosamente menor.
Serviço — o que fazer em novembro (e depois dele)
- Marque sua consulta de rotina. Leve perguntas claras: histórico familiar, pressão, vacinas, álcool e sono.
- Converse sobre próstata se você tem 50+ (ou 45+ com fatores de risco). Decida junto com o profissional se faz sentido dosar PSA/toque agora — ou acompanhar.
- Saúde mental conta. Irritabilidade persistente, insônia, desânimo e ideação suicida não são frescura. Procure atendimento; ligue para serviços de crise da sua região.
Recado final do Novembro Azul: o problema não é “falta de coragem para exame”, é falta de projeto de cuidado. Em um país que já tem política nacional para a saúde do homem, comparecer — à consulta, à conversa, à terapia — é o gesto mais revolucionário que um homem pode fazer por si e pelos seus.
Gostei muito da matéria sobre o “Novembro azul”.
Meu marido descobriu um câncer no estômago, nos exames da prefeitura. Então quem tiver a oportunidade de fazer esses exames e os exames da fabrica eu recomendo muito. Além de câncer, muitos amigos descobriram diabete e hipertensão.Não é só o câncer de próstata que mata os homens.