Artigo do Professor Angelo Ishi exclusivo para a Alternativa.
Para meu alívio, o tema da “imigração” e dos “estrangeiros” não virou “o” grande tema de debate na eleição para a Câmara Baixa. A primeira-ministra Sanae Takaichi percebeu que estava com boa aprovação popular e quis aproveitar a maré favorável para dissolver a Câmara e convocar eleições. Ela quer aumentar o número de parlamentares pró-governo.
Quando você estiver lendo este artigo, o resultado da votação, realizada em 8 de fevereiro, já terá sido divulgado. Desta vez a campanha eleitoral não gira em torno da questão da “política migratória”. Os demais partidos focaram seu discurso na questão mais urgente: como aliviar o orçamento familiar, já que o custo de vida não para de subir. A principal polêmica foi se o governo deve “reduzir ou não o imposto sobre consumo (shohizei)”.
Cada partido oferece soluções distintas para o imposto sobre consumo. A proposta do partido governista era imposto “zero” para os produtos alimentícios, o que ajudaria a garantir a cesta básica das famílias, mas apenas por um período de dois anos. Outros partidos defenderam “imposto zero” de forma permanente. Há ainda os que acreditam que o melhor caminho é focar na redução do ônus do seguro social para as pessoas de menor renda.
Quem tentou virar o protagonista desta eleição foi o recém-criado partido “Chudo Kaikaku Rengo” (Centrist Reform Alliance), uma espécie de “Centrão” japonês. Trata-se de uma fusão do principal partido da oposição, o Rikken Minshuto (The Constitutional Democratic Party of Japan), com o partido Komeito (sim, o partido que ficou tanto tempo na aliança governista com o PLD).
Já escrevi nesta coluna (ed. 623) que esses dois partidos, de linha moderada, são raros defensores dos estrangeiros que moram no Japão. Justamente por isso, temo que tenham afugentado eleitores e perdido votos.
P.S.: Quem quiser ver uma reportagem da TV japonesa sobre como cada partido encara a redução de impostos: https://www.youtube.com/watch?v=z3H2vHn4x80
O interessante nesse texto é o tratamento com a questão imposto de consumo. No Japão, os partidos debatem diferentes formas para reduzir ou acabar com o imposto de consumo. No Brasil, os políticos se movimentariam em como aumentar.