Reportagem especial com produtores de conteúdo digital no Japão. Edição 619 da Revista Alternativa.
O canal de Nelson Takashi Tanaka e sua filha Priscila é o @nelson_no_japao e nasceu de uma vontade simples: registrar costumes, histórias e curiosidades do Japão para guardar como lembrança. Mas a ideia cresceu e hoje ele e sua filha Priscilla transformaram essa paixão em um projeto familiar que encanta milhares de pessoas. Unindo dedicação, leveza e muito amor pelo que fazem, pai e filha dividem não só a rotina da produção, mas também o propósito de aproximar culturas e inspirar brasileiros a conhecerem mais sobre o Japão.
Como nasceu a ideia de transformar sua experiência, vida diária e paixão em conteúdo?
NELSON: O nosso nicho é curiosidades e cultura japonesa. Eu queria registrar alguns costumes diferentes, situações e lugares que conheci aqui no país, porque acredito que um dia terei que voltar em definitivo ao Brasil e quero ter essa lembrança afetiva. Conforme fomos pesquisando, ficamos admirados com a riqueza cultural e as histórias inspiradoras que acontecem pelo país.
Qual é o papel educacional e social que vocês exerce com o público?
PRISCILA: Nos preocupamos muito com a qualidade e em buscar assuntos interessantes e envolventes. Tentamos dar sempre o nosso melhor para criar conteúdos. Acreditamos muito em nosso trabalho e achamos que números e engajamento são consequência desse esforço e dedicação. Pelo que percebemos através dos comentários, muitas pessoas, até mesmo as que moram aqui no Japão como nós, desconhecem algumas informações que passamos em nossos vídeos. Por isso, sempre queremos partilhar histórias cativantes, momentos incríveis e curiosidades culturais deste país que possam inspirar as pessoas.
Como encaram a responsabilidade de educar, ensinar, trocar opiniões e conteúdos via redes sociais?
NELSON: No começo, eu não tinha tanta preocupação em relação a isso, mas conforme o canal foi crescendo, a responsabilidade aumentou e tomou proporções que nós nem imaginávamos. Por outro lado, é muito gratificante ter contato com as pessoas e fazer amizades, mesmo que virtualmente. Recebemos muitos comentários de pessoas dizendo que começaram a se interessar pela cultura japonesa por causa do nosso canal. Algumas ficam com vontade de conhecer o país, de trabalhar aqui, outras comentam que vão adotar as filosofias e o modo de vida dos japoneses. Reações como essas são mais que recompensadoras.
“Como trabalho em fábrica, onze horas por dia, de segunda a sexta e, às vezes, aos sábados, e ainda no turno da noite, não tenho muito tempo para gravar. Muitas vezes saio do serviço muito cansado e vou direto gravar, ou, em outros casos, acabo de acordar e já começo a gravar. A minha sorte é que fazemos tudo em família e isso se torna um passatempo divertido.“
Como é a sua relação com o seu público? Tem história que te marcou e fez você perceber a importância do que faz?
NELSON: Na medida do possível, eu tento responder os comentários. Faço isso todos os dias, mas infelizmente é praticamente impossível responder a todos, porque não vivo somente como produtor de conteúdo. Há pouco tempo, postei um vídeo falando sobre o meu aniversário e recebi inúmeras felicitações, porém não consegui responder todas. Ainda estranho um pouco quando alguém pede para tirar fotos comigo ou quando vem me cumprimentar pelo canal, mas é muito gratificante e incentivador. Já faz um tempo, um rapaz me mandou uma mensagem pedindo para que eu continuasse fazendo os vídeos, pois ele tinha depressão e, quando os assistia, se sentia bem. Eu respondi agradecendo pelo carinho e dizendo para ele não se preocupar, porque não temos intenção alguma de parar.
Quais são os maiores desafios do dia a dia para manter constância e criatividade?
NELSON: Como trabalho em fábrica, onze horas por dia, de segunda a sexta e, às vezes, aos sábados, e ainda no turno da noite, não tenho muito tempo para gravar. Por isso, preciso me programar para aproveitar bem cada momento. Muitas vezes saio do serviço muito cansado e vou direto gravar, ou, em outros casos, acabo de acordar e já começo a gravar. A minha sorte é que fazemos tudo em família e isso se torna um passatempo divertido. Felizmente, minha esposa Kátia nos ajuda com as ideias e os roteiros, e minha filha Priscilla é uma excelente roteirista, diretora e editora.
Expor-se nas redes sociais também tem seu lado negativo: críticas, ataques, pressão.
NELSON: Acredito que esse tipo de situação afeta bastante os mais jovens, mas, como comecei mais tarde, consigo lidar bem. Quando fazem algum comentário desagradável, não respondo; e, quando me insultam ou ofendem, denuncio e excluo o comentário.
O que você sonha em conquistar daqui para frente?
NELSON: Simplesmente amamos gravar vídeos, acompanhar a repercussão e sentir os resultados. Por isso, adoraria viver apenas disso. Espero ainda conseguir fazer grandes parcerias, viver experiências marcantes, aproveitar ótimas oportunidades e, quem sabe, um dia viver exclusivamente da criação de conteúdo. Como já falei, acreditamos muito no nosso trabalho e procuramos fazer tudo com amor, carinho e dedicação. Sempre digo para a minha filha: “estamos no caminho certo, vamos continuar acreditando e fazendo; o que vier será consequência!”.
