O Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu sediou, dia 6, a cerimônia de premiação do 1º Concurso de Mangá da Comunidade Brasileira no Japão, um projeto pioneiro que uniu arte, educação, identidade cultural e o talento de brasileiros de várias regiões do país. O concurso foi realizado pela Aliança de Intercâmbio Brasil–Japão, com apoio do Instituto Guimarães Rosa, subsídio da HICE (Hamamatsu International Center), produção e curadoria da Funashima Arts, além do patrocínio de diversas empresas privadas responsáveis pelos prêmios e pela impressão dos catálogos com os mangás vencedores.
Concurso inédito e de grande alcance
As inscrições começaram em 1º de abril até 30 de setembro e receberam 209 participantes, entre crianças, adolescentes e adultos residentes em diferentes províncias japonesas. As obras foram avaliadas por uma comissão formada por Alexandre Funashima (Produtor, curador do projeto e professor de artes, Marcelo Goto (Produtor da Pegasus Cultural e caricaturista) e Massayoshi Ninomiya (Professor de mangá da Temple University, Tóquio).
Os critérios de avaliação incluíram narrativa, criatividade, originalidade e técnica. Os participantes concorreram em três categorias: Ensino Fundamental 1, Ensino Fundamental 2/Ensino Médio e Adulto.
Funashima destaca a dificuldade da avaliação: “Tivemos obras incríveis. Criar uma história de até cinco páginas com boa narrativa não é simples. Muitos participantes demonstraram grande domínio da linguagem do mangá.”
Vencedores por categoria
Ensino Fundamental 1
1º lugar: Gustavo Fujiyoshi (9 anos)
2º lugar: Nicole Satie (10 anos)
3º lugar: Bárbara Ayafuso (10 anos)
Destaques:
Mateus Shimabokuro (10 anos)
Brenda Lima (10 anos)
Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio
1º lugar: Giovana Okuzono (17 anos)
2º lugar: Gabriela Iboshi (16 anos)
3º lugar: Luna Aimi Takita (13 anos)
Destaques:
Thaemi Orui (17 anos)
Barbara Mayumi Mori (15 anos)
Categoria Adulto
1º lugar: Luana Sayuri Hatano — Izumo-shi, Shimane
2º lugar: Brandon Lee Murakami — Iwata-shi, Shizuoka
3º lugar: Rodrigo Eiji Tsumura — Fukuroi-shi, Shizuoka
Destaques:
Matheus Seiti Tominaga — Takahama-shi, Aichi
Leila Ayumi Nakazuna — Isesaki-shi, Gunma
Os prêmios incluem kits de artes, marcadores Copic, mesas digitalizadoras e, no caso da categoria adulta, premiações em dinheiro.
Oficinas e Workshops
Durante os meses de inscrição, Alexandre Funashima realizou oficinas de mangá gratuitamente em escolas brasileiras de Shizuoka, Aichi, Mie, Gifu e Shiga, abordando a profissão e carreira do artista, cultura do mangá no Japão, entre outras. Segundo ele, a experiência revelou “um número surpreendente de jovens talentosos que apenas precisam de incentivo para dar o primeiro passo na carreira artística”.
O idealizador do evento, embaixador e Cônsul-Geral Aldemo Garcia enfatizou: “Vivemos no país que deu origem ao mangá, hoje um fenômeno mundial. E, mesmo assim, nunca havíamos realizado um concurso de mangá dentro da nossa comunidade. Convidei o Funashima a produzir esse projeto pioneiro — e ele aceitou imediatamente.”
O presidente do CCH (Conselho de Cidadãos de Hamamatsu) Eber Toyohashi explicou que não entendia muito sobre de mangá e que ao pesquisar mais sobre, ficou muito surpreso, explicando a origem da palavra a partir dos kanjis 漫 “man” que significa algo, leve e despretensioso, uma liberdade de se expressar, e o 画“ga” que se refere a desenho, ilustração ou pintura, seria então desenhos criados despretensiosamente , ou espontâneas, com certa liberdade de expressão.