Pingos nos “is”: Japão precisa de estrangeiros. Ed. 626.

MATÉRIA DE CAPA | ED. 627.

Em pratos limpos

O Japão precisa de estrangeiros, mas não sabe lidar com isso.

Os estrangeiros precisam entender o Japão, mas estão sem paciência.

Em 2025, o Japão entrou numa contradição que já não cabe mais “debaixo do tatame”. O número de residentes estrangeiros bateu recorde, 3.956.619 pessoas em junho, e o tema deixou de ser demografia ou mercado de trabalho: virou debate político, combustível para boatos e, em alguns bairros, gatilho para hostilidade aberta. Tóquio é o retrato mais visível dessa mudança. Só em um ano, a população estrangeira na capital cresceu 11,40%, chegando a 721.223 residentes.

É nesse cenário que o governo criou até uma nova estrutura para “responder às preocupações” com estrangeiros, citando temas como crimes, turismo excessivo e suposto mau uso de sistemas públicos. Esse movimento vem provocando mais ansiedade social do que soluções reais. 

O Japão precisa de estrangeiros, mas ainda não aprendeu a lidar com essa realidade; e nós, estrangeiros, também precisamos entender melhor o Japão, suas regras, seus medos, sua pressão cotidiana e o peso que a política joga sobre a vida comum. 

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2 Comments
  1. Jose Comessu 2 meses ago

    O Japão não virou anti-estrangeiro agora.

    Esse medo começou no século XX, quando o país criou a ideia de que era “um povo único e homogêneo”. Antes disso, o Japão era fechado, mas não obcecado com raça ou pureza.
    Isso foi uma construção das elites políticas que restauraram o imperador Meiji e consolidado no início da era Showa .
    Depois da guerra, esse discurso só mudou de nome. “Raça” virou “cultura”. O estrangeiro passou a ser aceito para trabalhar, mas nunca para fazer parte do “nós”.

    Hoje, com a população envelhecendo e o país perdendo força, esse velho medo reaparece com o nome real “Raça” O estrangeiro deixou de ser invisível e virou alvo fácil.

    Políticos e redes sociais não criaram isso.
    Só tiraram a poeira de algo antigo.

    Para mudar isso só outra revolução Meiji. Mas com políticos mais do “centro”.
    O problema não são os estrangeiros.
    É a crise de identidade de um país que nunca se renovou politicamente.

  2. Vataro Wakaranai 2 meses ago

    Vejo essa implicação mais para aqueles que são cônjuge de descendentes que não receberam a educação e comportamento da família oriental, transferindo para todos que vivem aqui, brasileiro por exemplo não entende que as leis aqui são diferentes da terra natal, batem de frente, e os Japoneses se acham superiores. Marquei yukiu e o japonês teve ousadia de riscar meu nome e colocar o dele, exemplo claro que essa sociedade está doente.

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