POR ALESSE NUNES, EDITOR.
Quem sofre na pele a discriminação sente um misto de sensações ruins: ressentimento, isolamento, desvalorização, humilhação, vergonha e raiva. Alguns superam; outros ficam com marcas para sempre.
Uma história que apuramos: em Tóquio, P.B., de 34 anos, visitou várias imobiliárias recentemente para tentar alugar um apartamento. Ela já vive no Japão há oito anos. A lista de imóveis disponíveis era sempre longa. Mas o inesperado acontecia: diante dela, a funcionária ligava para cada proprietário e perguntava se aceitava alugar para uma estrangeira brasileira. De 25 imóveis, apenas três disseram que sim. E a funcionária falava com naturalidade e dava a resposta ali mesmo: “ele não quer estrangeiros”. A sensação: revolta, antipatia, desdém e menosprezo. “Senti que eles não me tratavam como uma pessoa decente. Era um ‘não’ com sarcasmo”, comentou.
Nesta edição, repercutimos o resultado de uma enquete exclusiva mostrando que 72% dos brasileiros no Japão experimentaram discriminação por serem brasileiros. Além disso, vasculhamos mais de 2.400 comentários da comunidade em nossas redes sociais e no site. Os grandes dilemas da comunidade são: (1) trabalho e dinheiro; (2) vida prática no Japão; e (3) pertencimento e futuro.
O que nos move é o desejo de contribuir para a comunidade brasileira com informação e encorajamento. Unidos, podemos melhorar a qualidade da vivência no arquipélago.
Excelente leitura!