Artigo da psicóloga do SABJA reflete sobre a saúde mental masculina.
Saúde mental masculina: o silêncio que adoece
Novembro é conhecido como o mês de conscientização sobre o câncer de próstata. Mas, além do corpo físico, há outro tema urgente: a saúde mental dos homens. Por trás de muitos sorrisos contidos e silêncios prolongados, existem histórias de dor, cansaço e sobrecarga emocional que raramente são ditas em voz alta. A saúde mental masculina ainda é um tema cercado por silêncios, tabus e crenças enraizadas, como a ideia de que “homem forte não demonstra fragilidade”.
Desde pequenos, muitos meninos aprendem que demonstrar emoção é sinônimo de fraqueza. Chorar é visto como algo errado, e pedir ajuda, coisa de gente fraca. Essas falas moldam um padrão emocional rígido, que leva o homem adulto a calar o que sente, Esse silêncio emocional pode se tornar um fardo pesado.
A psicologia chama esse fenômeno de masculinidade tóxica internalizada. É um conjunto de crenças que impede o homem de se conectar com suas próprias necessidades afetivas. Por medo de parecer vulnerável, ele mascara o sofrimento com trabalho excessivo, irritação e isolamento. Os homens costumam buscar ajuda muito mais tarde do que as mulheres. Estatísticas internacionais mostram que eles têm maior risco de suicídio, maior uso de álcool e drogas como fuga emocional e maior resistência à psicoterapia.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) mostra que o homem pode aprender a identificar seus pensamentos automáticos (“preciso ser forte sempre”, “ninguém entende o que sinto”) e substituí-los por crenças mais saudáveis, como: “posso cuidar de mim e ainda ser forte” ou “falar sobre o que sinto me ajuda a lidar melhor com as situações”.
Falar sobre emoções é um ato de prevenção emocional. Homens que se permitem conversar com amigos, familiares ou terapeutas criam espaços de conexão e reduzem o risco de adoecimento mental.